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DANÚBIO GONÇALVES - CAMINHOS E VIVÊNCIAS

DANÚBIO GONÇALVES - CAMINHOS E VIVÊNCIAS Danúbio Gonçalves: o artista, o mestre, a pessoa

Final dos 60, Atelier Livre, altos do Mercado Público
Ainda estudante de artes plásticas, assim como tantos outros, vim para a capital para ampliar meus conhecimentos e travar contato com artistas gaúchos, ídolos e mitos cuja produção era conhecida e reconhecida.
Foi nesta condição que conheci Danúbio Gonçalves: artista renomado, mestre por excelência e ativista do movimento artístico gaúcho, um dos responsáveis pela criação do Grupo de Bagé, Clube da Gravura de Porto Alegre e de Bagé. O próprio Atelier Livre teve sob sua orientação a consolidação, hoje comprovada, como instância da progressiva afirmação identidária da arte sul-riograndense.

Xarqueada
serigrafia

Início dos 70, Atelier Livre, Rua Lobo da Costa
Outro espaço. Outros conceitos e metas. Danúbio, mestre e diretor sempre preocupado com a manutenção da qualidade e informalidade do ensino da arte, privilegiava a formação técnica de jovens artistas, cujos trabalhos - trazidos a público pela primeira vez em exposição individual na Galeria da Lobo da Costa - antecipavam o reconhecimento futuro. Entre eles, Alfredo Nicolaiewsky, Ana Alegria, Anico Herskovits, Paulo Chimendes.

Final dos 70, Atelier Livre, Centro Municipal de Cultura
Até este momento o Atelier Livre funcionava - mesmo sendo um espaço cultural da prefeitura - independentemente. Danúbio, mestre e diretor da instituição que agora participa de um espaço que conjuga artes plásticas, música, literatura e teatro, defendeu ardorosamente a independência de diretrizes que orientam a concepção de atelier livre: a formação e aprimoramento técnico dos alunos.

Dos 60 ao século seguinte. Danúbio Gonçalves artista, mestre, pessoa
Currículo internacional, referência a geração de artistas, crítico mordaz de modismos, artista apaixonado, perfeccionista técnico, pesquisador incansável, pioneiro em várias técnicas e permanentemente acessível aos artistas aprendizes.
É de Danúbio o mérito de sua consagração nas artes plásticas brasileiras, e meu o privilégio e a honra em testemunhar essa trajetória, agora resgatada e analisada neste livro, com os ensaios de Paulo Gomes e Norberto Stori, para o oportuno e merecido registro de uma das mais importantes marcas da arte sul-riograndense

Texto de Marisa Veeck no livro:
Danúbio Gonçalves: Caminhos e vivências.




O HOMEM QUE INVENTOU A DITADURA NO BRASIL - Décio Freitas

O Homem que inventou a Ditadura ... Editora Sulina / Quinta edição

Décio Freitas defende, neste livro, a tese de que o primeiro governador republicano do Rio Grande do Sul concebeu a primeira ditadura perfeita da América Latina, estribada constitucionalmente. Este tipo original de ditadura foi o molde dos regimes de 1937 e 1964. O núcleo da narrativa de Décio freitas é a guerra civil de 1893-95.
O mais importante neste livro é a descrição de um sistema que integra do degolador anônimo às lideranças partidárias. A prática de recursos ilegais, imorais e violentos para ganhar eleições era comum nos dois blocos. No entanto, foi o PRR castilhista que instituiu a identificação entre Partidos e Estado, atravé de uma " engenhosa ditadura constitucional",governando praticamente durante toda a República Velha.
De acordo com Décio Freitas, o regime castilhista foi transplantado por Getúlio Vargas para o plano nacional e, também, inspirou os militares da ditadura imposta em 1964. O modelo castilhista consiste em, sob um véu constitucional, concentrar os poderes do Estado no Poder Executivo.
Estas páginas derretem o bronze das estatuas, pois, conforme expressão do autor, " nestas coisas de honradez e personagens ilustres dio passado, em geral o civismo triunfa, mas a história padece".

Neste trabalho, a novidade da reflexão histórica é evidente. Além disso, Décio demonstra ter expandido o gosto pela reconstrução do tempo social através de uma narrativa criativamente literária.

A história se faz esclarecedora também através do Posfácio, Cronologia e Fontes. O leitor pode ampliar com a consulta o conhecimento e mergulhar no período histórico. Décio Freitas, historiador e jornalista ativo busca através da informação trazer ao leitor sua formação política. Na verdade temos aqui uma opinião gabaritada e esclarecedora dum período histórico brasileiro. Afinal somos antropofágicos no que diz respeito a história: comemos e fazemos desaparecer na memória o que não interessa no momento atual. Assim, há que alimentar a informação para abrir velhas fendas.


Elizabeth Mattos



LONGE É UM LUGAR QUE NÃO EXISTE
Richard Bach


Longe é um lugar que não existe Podem os quilômetros separar-nos realmente dos amigos? Se você quer estar com alguém a quem ama, já não está lá?

O livro traz uma linha metafórica da dificuldade de compreensão da linguagem, do uso mesmo das palavras num corte de parábola vamos pensando, a cada página aberta. O texto curto é acompanhado das pinturas ilustrações de H.Lee Shapiro. E a personagem é uma gaivota, marca de Richard Bach. É um presente que carrega reflexão.

" E disse:
- Porque o importante é você saber a verdade.
Até saber, até realmente compreender,
só pode demonstrá-la em coisas menores, com ajuda externa, de máquinas e pessoas e pássaros.
Mas deve se lembrar sempre que não saber não impede a verdade de ser verdadeira.
E Gaivota se foi."

Elizabeth Mattos



FELICIDADE - Hermann Hesse

Felicidade - H. Hesse Um autor refletindo sobre o cotidiano e o ofício de escrever. Este é o Hermann Hesse de Felicidade. Nas pequenas histórias deste volume - reminiscências - encontramos o autor em sua escrivaninha lendo as cartas de seus leitores, cartas por vezes melancólicas, noutras engraçadas ou espirituosas; em seu jardim, com roupas surradas, recebendo o autor francês André Gide; meditando sobre o sentido de algumas palavras, como felicidade, ou sobre o motivo de ter usado uma determinada expressão em uma obra escrita há mais de 25 anos, o que o leva a pensar sobre sua rígida educação religiosa.
Escritas entre 1947 e 1961, estas histórias mostram um Hesse maduro, preparando-se para enfrentar a idéia de morte; um Hesse humanitário, que faz pequenos livros personalizados com poemas e desenhos, cuja venda reverteria em ajuda para pessoas em países em guerra: para ele, cada traço ou palavra representava um prato de comida ou remédios para famintos e doentes. Em Felicidade conhecemos a casa do autor, os pequenos cômodos, a paisagem de sua janela, as flores, sua gata, o armário com diferentes tipos de papéis que, mais do que insumo para suas obras, eram retratos de seu estado de espírito: num dia áspero, noutro liso; branco, amarelecido ou colorido.
Contista, poeta, ensaísta e editor de importantes obras da literatura alemã, Hermann Hesse nasceu em 2 de julho de 1877 na pequena cidade de Calw, na Alemanha. Filho de um missionário, pregador pietista, Hesse passou a infância na sua cidade e de 1881 a 1886 viveu na Basiléia. Freqüentou em 1890 a escola de Latim em Goppingen, diplomou-se em 1891, mas interrompeu os estudos de Teologia, fugindo do seminário de Maulbronner. Trabalhou como livreiro e como antiquário, dedicando-se exclusivamente àliteratura a partir de 1903.
Desencantado com a civilização européia, viajou para a Índia em 1911 a fim de conhecer a vida no Extremo Oriente. Pacifista, lutou contra "a loucura sangrenta da guerra". Em seus textos, Hesse procurou se manter fiel às tradições literárias românticas e clássicas, em contraposição à "era folhetinesca" e propagandística. Esta índole romântica, mais sua tendência para a análise psicológica caracterizaram as primeiras obras de Hesse, como Peter Camenzind e Demian. Sonho de uma flauta, Sidarta, 0 lobo da estepe, Narciso e Goldmund e 0 jogo das contas de vidro são algumas das muitas obras do escritor alemão que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1946 e morreu em 9 de agosto de 1962.

Apresentação extraída da "orelha" do livro